segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Análise Política: O PFL nas formaturas

"Sim, eu ainda prefiro de chamar de PFL, pra taxar mesmo." 
Um colega de trabalho 

O velho Raymundo Faoro, grande sociólogo e jurista brasileiro, dizia que elite brasileira ao
 implantar o Estado, apripriou-se do mesmo para si, fazendo com que o mesmo funcionasse não seguindo as leis públicas, mas segundo normas familiares. Essa apropriação do Estado, não teve como intenção o bem comum, mas sim satisfazer os interesses da própria elite dominante de se reproduzir-se no poder. Para tanto a lei que imperava não era do espirito público ou do progresso geral, mas sim a lei familiar, do agregado, do amigo, do apadrinhado.
Essa é a elite brasileira, que sempre tenta hoje parece posar de moderna, erudita e cosmopolita, mas na realidade é reacionário, ama mandar e morre de medo de ter de ceder uma palha.

Não sei o que Raymundo falaria das formaturas universitárias hoje em dia. Não tenho experiência para falar das formaturas em universidades particulares, mas em universidades públicas acompanhei BEM de perto três, além agora de acompanhar a minha. É interessante observar como nestes momentos, uma certa elite acaba-se colocando como manda chuva da festa e das comemorações, e finge, em momentos ditos "democráticos" que estão dando um pouco mais de poder aos demais. Tudo é decido antes, e aceito depois, e tudo que fuguir da norma de uma formatura, tudo que ousar criticar, reinvindicar, mudar uma tradição boba onde a festa é mais importante que a entrega do trabalho final (aiii Brasil!), tudo que for feito para modificar ou questionar é motivo para calar, colocar debaixo do tapete e etc. Os Donos do Brasil são os donos da formatura. Isto não trata-se  de uma semelhança, isso é modo de reprodução de classe, na boa tradição marxista.

Um discurso que não critique muito a universidade toda sucateada e seus professores matões, uma festa dentro das boas maneiras, arrumação de dia de casamento, dentre outros enfeites fazem parte essencial deste dia, que desta vez ao menos estou acompanhando muito de longe, já que não pretendo passar o que viveu dois dos meus amigos mais próximos que dividi casa e com a minha irmã.
Porém, fui no dia decisivo de escolha dos homenageados. Na primeira reunião com esse objetivo não puder ir, na segunda não marcada, aconteceu após as fotos, que não fui também, mas muitas pessoas que foram tirar as fotos para o cartão da sala não sabiam da tal reunião ocorrida após, e com ares oficiais. A primeiro momento pensei: isso parece ser coisa da UJS, aquela gentalha do PC do B que aparelha o movimento estudantil fazem alguns bons anos, escondendo urnas, alterando votações, fazendo todo o inimaginável para manter-se no poder. Mas pensei um pouco mais: "isso não é coisa de comunista das antigas que se corromperam com o poder, até porque nesse caso acham que tem poder, mas na verdade não tem". 

Faoro me passa pela cabeça para analisar a universidade pública brasileira há tempos. É interessante ver como pessoas acham que a universidade pública é um lugar privado, a fim de ser usurpado. Fatos como: cara feia para qualquer discussão mais profunda; saída da aula muito muito mais cedo; discussões intermináveis sobre datas de prova em momentos que poderiamos estar estudando e aprendendo; discursos como: "esse não era o curso que eu queria"; trabalhos apresentados falando exatamento o que texto diz ou o que o professor quer; cara de nojo quando qualquer aluno faça alguma critica mais politizada. Enfim, um uso da universidade não para retornar para a sociedade, ou para universidade funcionar para seu fim, mas para si, para agradar a familia, ter um curso superior apenas (fato tão valorizados nas classes mais abastadas). 
Essa situação tem momentos limites, especialmente num curso como Pedagogia, aonde deve se escolher uma habilitação, e as pessoas não queriam nenhuma das disponíveis, já que não queriam estar ali, apenas ficaram pelo uso do aparato público ao bel prazer.

E quando envolvemos o casamaneto... er....quer dizer, a formatura. A já citada segunda reunião que ninguém sabia o que existia, nem foi divulgada, serviu especialmente para articular em torno de algumas demandas para a formatura, dentro do grupo que coordena a mesma e seus agregados (afilhados, diria Faoro). Um reunião de portas fechadas, num barzinho, lembrando as reuniões em restaurantes, hotéis e bordéis chique que grandes autoridades políticas fazem, discutindo o que deverá ser colocado ao público, mas feito longe do público. Aquela situação "super" democrática, aonde o espaço de discussão público e democrático, é colocado como secundário. Ali fecharam-se acordos em torno de nomes. Mas como a direita é burra, mas não é besta, essa dita reunião privada foi colocada contentemente por uma das integrates do PFLF (Partido da Frente Liberal das Formaturas), aonde o Cristian chato logo disse: "isso não tem legitimidade". 
Ok, não tinha legitimidade, mas ali ficaram acertadas as coordenadas de muitas coisas. A fim de dar um jeito PFL de ser na formatura. 

Vamos por partes. Primeiramente, acompanhando meu querido Faoro, a elite brasileira depende de apadrianhados, pessoas que estão próximas apenas por relação fraternal, familiar, é a figura do "afilhado político". O excesso de cargos políticos na administração pública representa muito disto. Esses afilhados, não se interessam ou fazem vistas grossas aos modos de administrar da elite, o importante é ter alguns favores ou simplesmente andar com esta elite. Na minha formatura, vimos claramente isso, por parte de uma aluna que votou na homenagem de professores que nem teve aula, apenas para não votarem no trio de excelentes professoras que ela não vai com a cara. 

Na outra ponta dessa relação de familiaridade e amizade da relação democrática pública, está a defesa dos amigos e parentes. Aqueles próximos a nós que queremos bem devem ser defendidos, apesar de todos os problemas que sabemos que os memos tem para com seu dever enquanto funcionário público. Logo essa pessoa não será escolhida por competÊncia, mas por ser da familia, afilhado, ou no caso de nossa formatura, amigo.
Escolher professores terríveis, que por motivos diversos, não desempenharam um bom papel como professores de nossa turma, mas que eram gente boa, queridos, amáveis, carinhos, amigos e etc., É um exemplo maginifico da forma como nossa elite trata as relações públicas. A maioria dos homenageados não estava lá por ter dado uma boa aula, até porque não  são bem conhecimentos o que se procurou primordialmente durante esse tempo de graduação.
Obviamente existiam professores competentes e amigos para serem indicados como merecedores das honrarias da formatura, mas como o que importa mesmo é a amizade, indicaram não apenas "os gente boa", mas as orientadoras, aquelas pessoas tão próximas e inesquecíveis. Embora as duas orientadores ficaram deixaram muito a desejar nas suas disciplinas. 
As relações de escolhas para homenagem são as mesmas de escolhas para comporem cargos públicos (que de certa forma também são uma homenagem). AS RELAÇÕES PESSOAIS. 
Competência? isso é para radicais!!!

Para finalizar, o que dizer da escolha do nome da turma e de homenagem a um técnico administrativos. Não é de praxe colocar nome de colegas como nome de turmas (embora a consideração sobre que a homenagem a um colega fosse deixar outro magoado, sinceramente acho que esse não era o maior motivo), claro, que a principal opositora, como fiquei sabendo hoje, queria que o nome de outra colega fosse o da turma,mas o problema não era o nome, é que não era comum colocar nomes e os outros ficariam entristecidos, ora, vamos e venhamos. O praxe também era importante para escolha do homenageado técnico administrativo, o perigo de homenageram alguém do xerox foi tentado em substituição para homenagear uma chata da secretaria. Deve ser feio para etiqueta homenageá-los não?

E o que dizer do PMDB? O centro geralmente tende para aonde vê que está o poder, não é independente, e nem tem opinião formada. Quando vê que alguns que não gostam vão para um lado, eles vão para o outro. Isso foi muito claro, qdo a aluna que indicou um colega para ser homenageadoa como nome de turma, voltou atrás, extamente qdo o PFL começou a votar contra. Sem contar o povo que ficou em cima do muro.

Dá para explicar muito do nosso país em uma simples sala de aula de Pedagogia.


quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A arte da irônia grosseira

Preciso fazer um trabalho a respeito de uma disciplina que odeio e que discordo digamos de boa parte dela. Porém, para não incomodar a referida professora, prefiro ficar quieto durante a maioria das aulas, pois, se depender de mim, fico discutindo, discutindo com ela e no final ela não irá explicar nada.

Pouco interessa hoje do que eu discordo. A parada  é que quero escrever esse trabalho criticando o que ela disse nas aulas e apresentou nos textos, 
mas falta coragem, até porque disso dependerá minha aprovação ou não, preciso provar que li os textos (até li) e entendi (aff... também). No entando, está  faltando-me coragem para como diriam no interior, descer a lenha.

Realmente é uma parada complicando. Falando (ou escrevendo) em parada, a referida maestra, criticou as pessoas que não conhecem bem a nossa língua e ficam falando demais palavras como coisa, parada, aquilo, breguese e etc. Isso seria sinônimo de falta de sinônimo e de baixo 
repertório de palavras, e que quanto mais palavras soubessemos e pudessemos usar, misturando e etc, isso seria sinal de desenvolvimento de cultura, logo do cérebro e blá, blá,blá. Então, como aula é um lugar de pérolas, ela criticando o ensino como todo mundo critica, falou que no fim deu no que deu "elegeram um presidente que nem sabe falar direito"

Falando no presidente que não sabe falar direito, mas que fez muita coisa do que aquele que não só falava direito, e até escrevia livros dizendo que o ideal para o Brasil não era ser direito, nem direto, mas sim dependente. Lembro-me que o atual presidente, anda bem pouco corojoso, assim  como  estou nesse momento, com  vontade de falar mal das teorias da querida professora, mas sem a coragem (não me veio nenhum sinônimo na cabeça, por isso, repito a palavra, deve ser falta de cultura). O presidente que tem medo, não quer enfrentar o Dantas, por outros motivos que não interessam hj também, logo tenho mais coisa a ver com o Lula, do que torcer para o mesmo time, e ainda acreditar que o PT não está acabado.                                                    A Coisa
                 
No entanto,  hoje, nestes encontros, que vou chamar de culturais, mas que na realidade tem intenções terapeuticas, foi indicado a mim abandonar um pouco essa vontade de mudar as coisas, de resolver o que está errado, yada, yada, yada e cuide mais de si. Mas sabemos também (ou eu sei, sei lá) que a classe 
média (arghhh
) gosta de reclamar que nada nesse país muda (inclusive ela mesma, pois continuam a sonegar imposto, a comprar a Veja e acreditar no Jornal Nacional), e falta coragem. As pessoas também admiram pessoas com coragem, lêem a biografia deles, tomam como exemplos de vida, e mais, deixam de lado tudo o que a pessoa pensa, para admirar pela coragem, vide como gostam da Heloísa Helena, mas na real não importam muito com o que ela fala. 

Ela, Kajuru, ou sei lá quem que tem biografi
as muito lidas, acho que o Mandela, a Hilary Clinton, enfim, são admirados por terem coragem. Porém, se você vê algo errado deve ficar quietinho, para não se prejudicar. Tem certa razão, pq falar um pouco mais no Brasil dá problema, especialmente qdo vc quer desafiar o que está errado, todo mundo sabe que está errado, mas ninguém quer enfrentar.

Já me dei muito mal por "abrir a boca" em situações públicas (porque em privadas, enfim, vão para a privada mesmo), e óbvio que valeu a pena. Hoje penso um pouco mais no que vou falar, até pensando em táticas e ténicas para conseguir o que acho que deve ser o correto, e claro, como qualquer outro maria-vai-com-as-outras (que sou c0m orgulho), levo algum daqueles cuidados pós-modernos sobre relativização da verdade e blá blá blá na hora de "lutar" pelo que acredito ser o certo. Mas isso não faz de mim uma pessoa corajosa.

Admito, tenho medo até de atravessar a rua, por isso sempre atravesso correndo. Mas pelo menos eu sei a importância de "abrir a boca" e não fico recomendado a torto e a direito para "não mudarem o mundo". Só que não recomendo suícidios igualmente.

Agora, basta saber, na minha madrugada, se encaro o Piaget e a professora que pode perfeutamente me reprovar, ou se continuo sofrendo fazendo o que ela quer...
TEREMOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS.......